
O Movimento Tapajós Vivo lança o documentário “Transformações nas Margens do Rio Tapajós”, uma produção audiovisual de Emilly Lopes que percorre memórias, denúncias e histórias de resistência de povos indígenas, comunidades tradicionais e moradores da região de Santarém, no Baixo Tapajós, oeste do Pará.
Filmado em Santarém e Alter do Chão, o documentário apresenta os impactos provocados pelo avanço do agronegócio, da especulação imobiliária e de grandes empreendimentos sobre as margens do rio Tapajós. A produção reúne depoimentos de lideranças socioambientais como Viviane Borari, Padre Edilberto Sena, Nilma Tapajó e Nato Tupinambá, que compartilham memórias afetivas, conexões espirituais e reflexões sobre as transformações que vêm alterando profundamente os modos de vida no Baixo Tapajós.
Entre os principais temas abordados estão a destruição da praia Vera Paz após a instalação do porto da Cargill em Santarém; as ameaças aos territórios indígenas, especialmente em Alter do Chão, território do povo Borari; além das consequências da poluição, da grilagem de terras e do crescimento desordenado às margens do rio Tapajós.
O filme evidencia a relação ancestral dos povos do Baixo Tapajós com as águas, apresentando o rio como espaço de cura, espiritualidade, alimentação, memória e existência coletiva. Ao longo da narrativa, o documentário também destaca a força da cultura popular, do carimbó, da juventude indígena e da comunicação popular como ferramentas de resistência e mobilização em defesa do território.
Com uma linguagem acessível, sensível e territorial, “Transformações nas Margens do Rio Tapajós” propõe uma reflexão sobre justiça socioambiental, direito à cidade, preservação cultural e os desafios enfrentados pelos povos do Tapajós diante dos chamados “empreendimentos de morte” que avançam sobre a região.
“Esse documentário nasce da necessidade de registrar as memórias, as denúncias e as resistências dos povos que vivem e defendem o rio Tapajós diariamente. É uma produção construída a partir do território e das vozes de quem sente diretamente as transformações impostas sobre o Tapajós”, afirma Kamila Sampaio, coordenadora de comunicação do Movimento Tapajós Vivo.
O lançamento do documentário integra as ações de fortalecimento da comunicação popular e da defesa socioambiental promovidas pelo Movimento Tapajós Vivo (MTV), organização que atua na mobilização em defesa dos rios, dos territórios e dos direitos coletivos na Amazônia. O Movimento Tapajós Vivo é um movimento social horizontal criado em 2009, a partir da articulação entre organizações populares e integrantes da sociedade civil em resistência à implantação do complexo de hidrelétricas na bacia do Tapajós. Ao longo de sua trajetória, o movimento ampliou sua atuação para enfrentar diversas ameaças aos territórios amazônicos, fortalecendo a luta pela justiça socioambiental e pelo Bem Viver Amazônida.
A iniciativa integra ações financiadas pelo Ministério Federal de Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha, por intermédio da rede WWF. A realização ocorre por meio de um consórcio de parceiros formado pela Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (Fepipa), Instituto Centro de Vida (ICV), Movimento Tapajós Vivo (MTV) e WWF-Brasil.